cartilha de orientação para os egressos do ensino médio que podem se beneficiar das ações afirmativas

A EDUCAFRO e o Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa do IESP-UERJ, está DIVULGANDO para todos os Associados da EDUCAFRO esta  cartilha de orientação para os egressos do ensino médio que podem se beneficiar das ações afirmativas em vigor no país.
A versão digital da cartilha é de livre acesso. Logo, seria muito bom que você, associado EDUCAFRO divulgá-la, sobretudo, com os alunos que ainda estão no Ensino Médio.
 A seguir, o link onde a cartilha pode ser lida e baixada:


Reforma política irá solidificar e ampliar conquistas sociais dos negros no Brasil'

Reforma política irá solidificar e ampliar conquistas sociais dos negros no Brasil'

Diretor da Educafro diz que plebiscito é essencial para ampliar participação de negros na política. Hoje, só 9,8% do Congresso Nacional são ocupados por pretos ou pardos

São Paulo – O plebiscito popular para a realização de uma Constituinte exclusiva que defina reformas no sistema político brasileiro representa, na visão do diretor-executivo da ONG Educafro (Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes), Frei David Raimundo, um instrumento essencial para consolidar as conquistas sociais da população negra. Ele acredita que, por meio de uma Assembleia Constituinte, a política de cotas raciais nas universidades públicas, estabelecida em 2012, e também nos concursos federais, sancionada neste ano, será solidificada e ampliada.

“Seja quem for o presidente da República, essa política não pode ser mexida mais, a não ser que se volte a discuti-la na Câmara dos Deputados e no Senado, e que se mude as leis. Mas isso seria uma afronta a nós, negros. Portanto, a Constituinte vai consolidar essas conquistas e ampliar tantas outras”, defende.

A população brasileira é hoje composta por maioria negra. Na última amostragem feita pelo IBGE, em 2010, 50,7% dos brasileiros se declararam pretos ou pardos. No entanto, segundo o diretor da Educafro, essas pessoas ainda estão, em grande parte, excluídas de cargos políticos no Congresso Nacional. Somente 9,8% dos senadores e deputados brasileiros são pretos ou pardos, de acordo com estudo realizado pela ONG Transparência Brasil, em 2013. Na Câmara dos Deputados, a parcela corresponde a 10,7%,  só 55 dos 513 deputados são negros. Já noSenado, o número é ainda menor: são três pretos (3,7%), em 81 parlamentares.

Para o diretor da Educafro, os dados alarmantes são evidências de que o sistema político atual é profundamente viciado e mantido por “amarras negativas” criadas pelo sistema financeiro. Por isso, faz-se necessária uma reforma política que altere a forma de governo e estimule e assegure a participação popular. “Se o seu deputado, o seu senador e até o seu candidato à presidência, não for a favor de uma Constituinte do sistema político, dificilmente ele vai ajudar o país a ser melhor em seu mandato”, argumenta Frei Raimundo.

Ouça a entrevista do Frei David Raimundo à radio Brasil atual


Quatro brasileiras são 'jovens líderes globais'

Leila Velez (esq.), fundadora da rede de salões Beleza Natural, foi uma das escolhidas na lista de líderes globais

Quatro brasileiras integram hoje o seleto grupo do Young Global Leaders (YGL). Com perfis diferentes, a cineasta Julia Bacha, a ex-secretária de Comércio Exterior, Tatiana Lacerda Prazeres, a presidente da companhia aérea TAM, Claudia Sender, e a fundadora da rede de salões Beleza Natural, Leila Cristina Velez, têm se destacado internacionalmente em suas áreas.

O Fórum Econômico Mundial, conhecido por suas reuniões anuais em Davos, na Suíça, seleciona, por um mandato de seis anos, personalidades com menos de 40 anos, que tenham se destacado na política, negócios, mídia, pesquisa, cultura e artes. Na última semana, 214 jovens líderes vindos de 66 países se reuniram em Tianjin, na China, durante a edição 2014 do YGL. Mais da metade dos integrantes desse ano são mulheres.

"A comunidade do YGL reúne os mais proeminentes dirigentes da próxima geração, que obtiveram resultados extraordinários e os ajuda a continuarem a se desenvolver na estrada da liderança", define David Aikman, responsável pela New Champions Community do FEM, da qual o YGL faz parte.

Para Tatiana Lacerda Prazeres, única indicada brasileira que vem do setor público, o grupo reúne pessoas com trajetórias e experiências distintas, mas motivadas a dar uma contribuição para o mundo nas áreas em que atuam. "É muito inspirador o contato", avalia.

Julia Bacha, cineasta brasileira, diz que o que une perfis tão diferentes é a preocupação social. "São pessoas que têm um comprometimento em trabalhar para que o futuro seja melhor do que o agora", diz.

Tatiana não se considera um exemplo para os brasileiros, mas acredita que a nomeação como jovem líder global é um reconhecimento em relação a sua carreira e uma aposta para o futuro. "Olhando para lideranças mundiais, que já passaram pelo grupo e que hoje ocupam posições de destaque, se reconhece que o fórum tem capacidade para identificar pessoas com potencial".

A BBC Brasil preparou perfis de cada uma delas. Leia abaixo:

Julia Bacha

Desde 1998, a carioca de 33 anos, vive em Nova York para onde se mudou para estudar inglês e acabou cursando graduação na Universidade de Columbia. Sua carreira de documentarista começou em 2004, quando escreveu e editou Control Room, um dos documentários políticos de maior bilheteria de todos os tempos nos Estados Unidos. O trabalho teve grande impacto na cobertura da Guerra do Iraque.

Julia se dedica atualmente a um novo filme sobre as mulheres palestinas, que lideraram campanhas de desobediência civil no final dos anos 80, durante a primeira Intifada.

Ela conta que se envolveu com a questão entre Israel e Palestina por acaso. O interesse veio através da colaboração desenvolvida com a cineasta israelense, Ronit Avni, fundadora e diretora da Just Vision, organização sem fins lucrativos, que pesquisa e desenvolve conteúdo sobre líderes palestinos e israelenses comprometidos com a não-violência, da qual Julia é a diretora criativa. Juntas elas dirigiram Encounter Point, em 2006, em Israel.

"Quando cheguei em Jerusalém, vi a importância desse trabalho. Queria realmente mudar a dinâmica, na qual a atenção da comunidade internacional e da mídia está sempre focada nos atores que usam a violência. Enquanto israelenses e palestinos, que adotam a resistência pacífica, a desobediência civil, são em grande parte ignorados", denuncia.

"Nosso trabalho é o de contar as histórias e mostrar quem são os indivíduos que acreditamos que no futuro vamos olhar com a mesma admiração que reservamos a Martin Luther King, Nelson Mandela e Mahatma Gandhi. Esses indivíduos existem!"

Tatiana Lacerda Prazeres

Tatiana, que até o ano passado integrava o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, fez história na pasta já que pela primeira vez um funcionário de carreira chegou ao cargo de vice-ministra.

Atualmente, ela é assessora do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Com passagem pelo mundo acadêmico, Tatiana é doutora em Relações Internacionais pela Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, e autora de dois livros sobre questões comerciais. Ela coordenou a área internacional da Apex-Brasil e passou pela consultoria de Relações Internacionais da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.

Além de suas obrigações profissionais, ela ajuda jovens pesquisadores que trabalham com temas relacionados a OMC. "Faço uma orientação informal de pessoas estudando comércio internacional. Achei que esta era a melhor forma de contribuir aproveitando o que eu tenho de melhor".

Claudia Sender

Duas outras jovens líderes foram indicadas por suas atuações no mundo dos negócios. Claudia Sender é a primeira mulher à frente de uma companhia aérea brasileira. Com 39 anos, ela comanda os cerca de 30 mil funcionários da TAM e define a estratégia da empresa, que tem faturamento de quase US$ 13 bilhões.

Formada em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo, Claudia mudou de área e fez carreira no mundo corporativo atuando em marketing e planejamento na Whirlpool e na Bain & Company. Ela se especializou na Harvard Business School e apenas em dezembro de 2011 entrou para a maior empresa de aviação do país, como vice-presidente Comercial e de Marketing. Após a fusão com a chilena LAN Airlines assumiu a Unidade de Negócios Doméstica Brasil.

Leila Cristina Velez

Em 1993, Leila Cristina Velez criou aos 19 anos um dos primeiros salões de beleza especializado em cabelos crespos, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro.

Hoje, a Beleza Natural é uma rede de cabeleireiros com quase 20 unidades, 2 mil funcionários e mais de 100 mil clientes por mês. A empresa criou ainda nos anos 90 uma linha de produtos para o negligenciado mercado de cabelos afro no Brasil. O sucesso é atribuído pela companhia ao ganho de "autoestima" em milhares de pessoas, por valorizar os fios naturais e ir contra a corrente das técnicas de alisamento praticadas por salões convencionais.

No último ano, a cadeia de institutos de beleza presente em cinco estados brasileiros, recebeu um incentivo de US$ 32 milhões da GP Investments, para financiar sua expansão para todo o país.

Nascida em uma favela carioca e ex-funcionária do McDonald’s, Leila é formada em Administração de Empresas e fez cursos de Empreendedorismo e Competitividade na América Latina na Columbia Business School e em Harvard .

fonte: BBC


Foto de índio brasileiro vence concurso global

Expor a rica diversidade dos povos indígenas: esse foi o objetivo do primeiro concurso global de fotografia lançado pela ONG Survival International, que luta em defesa dos direitos dos povos indígenas.

E a foto eleita vencedora foi tirada em terras brasileiras. O fotógrafo italiano Giordano Cipriani captou toda a cor e a expressão de um índio da tribo Asurini, do Tocantins, e faturou o prêmio, deixando para trás concorrentes de várias partes do mundo.

A Survival International aproveitou o concurso para lançar o calendário para 2015 We, The People (Nós, As Pessoas, em tradução livre).

As fotografias apresentam, entre outros, registros da tribo Tarahumara, no México, conhecida por ter corredores de longa distância, e o ritual de saltar bois da tribo de Hamer, na Etiópia.


Inscrições para bolsas de estágio nos EUA podem ser feitas até o dia 12 de outubro

Brasileiros que fazem doutorado em ciências humanas, ciências sociais, letras e artes podem se candidatar à seleção de bolsas de estágio em instituições de educação superior nos Estados Unidos. São 30 bolsas, de nove meses de duração, com início em agosto–setembro de 2015 e conclusão em abril–maio de 2016. As inscrições podem ser feitas até 12 de outubro próximo.

A seleção dos candidatos cabe à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) do Ministério da Educação e à Comissão para o Intercâmbio Educacional entre os Estados Unidos e o Brasil (Comissão Fulbright), instituições que também vão custear o envio dos estudantes.

Para concorrer, o pós-graduando deve cumprir, entre outros requisitos:

  • Estar matriculado em curso de doutorado no Brasil recomendado pela Capes.
  • Ter proficiência em língua inglesa.
  • Não ultrapassar 48 meses do período total do doutorado.
  • Morar no Brasil no momento da candidatura e durante o processo de seleção.

O candidato deve preencher on-line um formulário com dados pessoais e educacionais, apresentar projeto de pesquisa e encaminhar os documentos solicitados no edital do programa Capes–Fulbright Estágio de Doutorando em Ciências Humanas, Ciências Sociais, Letras e Artes nos Estados Unidos.

Benefícios — Caberá a Capes a cobertura das principais despesas dos bolsistas:

  • Moradia, alimentação e transporte local, no valor de US$ 1,3 mil [R$ 3.021,72, em cotação do dia 12 último] mensais e adicional de U$ 400 [R$ 929,76], no caso de o bolsista estudar em cidade considerada de alto custo.
  • Auxílio-deslocamento de U$ 1.604 [R$ 3.728,34] para permanência de até seis meses ou U$ 3.208 [R$ 7.456,68], se a permanência for de sete a nove meses, valor dividido em duas parcelas.
  • Auxílio-instalação de U$ 1,3 mil [R$ 3.021,72], em parcela única, para permanência de nove meses.
  • Auxílio-seguro-saúde de U$ 90 [R$ 209,20] mensais.

Será responsabilidade da Comissão Fulbright, custear a aquisição de livros ou computadores, até o valor de U$ 2 mil [R$ 4.648,80]; a mensalidade complementar, fixa, de U$ 700 [R$ 1.627,08], durante a permanência do bolsista nos Estados Unidos, e o auxílio para participação em eventos relacionados ao projeto de pesquisa do estudante, no valor máximo de U$ 1,2 mil [R$ 2.789,28].

Conforme o cronograma da seleção, a relação dos aprovados será divulgada em dezembro deste ano. As inscrições, gratuitas, devem ser feitas pela internet, com o preenchimento do formulário da Comissão Fulbright, em inglês, conforme estabelecido no Edital nº 54/2014, divulgado em 3 de setembro último.

fonte: Mec


Militância da EDUCAFRO em BRASILIA

São Paulo – Movimentos sociais ligados a Educafro (Rede de Educação e Cidadania de Negros e Negras e de Pessoas das Camadas Populares)cobram controle na inscrição de cotas para negros, índios e pardos na universidades públicas brasileiras, para evitar fraudes. Nesta segunda-feira (15) representantes da entidade levaram reivindicações ao Ministério da Educação (MEC) e denunciam que a Lei das Cotas, nº 12.711, está sendo burlada por pessoas que não se enquadram na categoria. A reportagem sobre o tema foi ao ar na edição de ontem do Seu Jornal, da TVT.

A Educafro pede que o ministério estabeleça critérios mais rígidos e uma fiscalização permanente, que entreviste os cotistas. O MEC prometeu estudar soluções. Leonardo Freitas, estudante e militante da Educafro, aponta que não existe uma ouvidoria que fiscalize e impeça fraudes.

A entidade sugere que os movimentos sociais ligados a educação realizem esse trabalho e garantam que apenas negros, pardos e índios utilizem as cotas. "A gente não quer que confira cada um, cada candidato, porque isso seria um número muito difícil da gente conseguir direcionar uma equipe", diz.

A Educafro reivindica também critérios mais claros para o Ciência sem Fronteira na escolha dos cotistas. Renato Domingos Junior, assessor de políticas públicas da entidade, afirma que a população negra, embora represente mais do que 50% dos brasileiros, enfrenta grandes dificuldades para ingressar nas universidades públicas e "mais ainda" no Ciência Sem Fronteira.

"A gente verificou que, em um panorama geral do programa, a maioria esmagadora das pessoas são brancas e tem condições de se manter no exterior exterior. Infelizmente os negros, que de fato necessitam de se capacitar, ir para o exterior e trazer a sua experiência para a sua comunidade, não tem essa oportunidade", indica o militante.

A Lei das Cotas, nº 12.711, foi instituída em agosto de 2012 e ainda sofre resistência de setores mais conversadores da sociedade. Ela obriga as universidades, institutos e centros federais a reservarem para candidatos cotistas metade das vagas oferecidas anualmente em seus processos seletivos.

 

fonte: rede BRASIL


O mito do voto negro: Frei David Santos representa o “povo afrodescendente”, mas Pelé não!

Frei David Santos, da ONG Educafro, é um dos mais barulhentos defensores da segregação racial no Brasil, um país essencialmente miscigenado e pardo. Bate o bumbo das cotas raciais o tempo todo, e se coloca como porta-voz (sem procuração) do tal “povo negro”, uma espécie de nação paralela dentro do Brasil.

Em artigo publicado hoje no GLOBO, ele trata de forma monolítica do suposto “voto negro”, para pressionar os candidatos a endossar sua agenda racialista, como se falasse em nome de todos os eleitores com a pele um pouco mais escura. Diz ele:

Nestas eleições, o voto negro será o fiel da balança, especialmente para garantir e dar passagem para os candidatos ao segundo turno. Todo bom partido governante precisa ser bom para todos os segmentos da população. 

O fiel da balança será o voto de milhões de brasileiros com diversas características, tais como credo religioso, cor da pele, inclinação sexual, preferências ideológicas. Tratar um grupo de mais da metade dos eleitores como um só bloco do tal “voto negro” é realmente algo absurdo, um truque para sobrevalorizar o critério racial, o único que David Santos enxerga.

Presume-se que um presidente governe para todos os brasileiros, não para diferentes segmentos estanques que sequer existem na prática, apenas na cabeça coletivista de alguns. Mas o frei faz seu alerta, ou ameaça, pretendendo falar em nome de todos os negros e pardos do Brasil:

Quem não considerar o voto da negritude e não tiver um tratamento direto ou indireto voltado para esse segmento, após as eleições, poderá se arrepender.

Não nos iludamos: o povo negro daqui para a frente, com seu crescente ingresso nas universidades e nos altos postos do mercado de trabalho através das cotas nos concursos públicos, terá grande papel na construção do novo Brasil que estamos desenhando. A influência de um cotista no seu grupo familiar, quase sempre por ser o único com faculdade, é grande! Um bom político e um partido sério não podem se contentar com um aparente silenciamento da população negra e sua postura política — que não é ouvida. Algo novo está surgindo e será um grande diferencial para a construção da nova nação: plural e participativa.

Que “povo negro” é esse? Aquele que inclui Joaquim Barbosa, atacado pelos petistas sob ensurdecedor silêncio dos líderes dos “movimentos raciais”? Notem a estratégia pérfida do autor: ao se colocar como representante oficial do “povo negro” e logo depois enaltecer as cotas raciais, ele está tentando dizer que só quem defende as cotas se preocupa com os negros. Mas e todos os negros que rejeitam as cotas? Esses ou não existem para o frei, ou são “traidores” da causa. Ele conclui:

O povo afrodescendente foi e está sendo incluído no sistema social e quer nele permanecer. O compromisso que espera de todos os candidatos é que sempre coloquem o tema da inclusão como pauta prioritária. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, de agosto de 2012 a agosto de 2014, naquela Casa, os processos contra o racismo cresceram mais de 150%, incluindo o do goleiro Aranha, apesar da visão equivocada de Pelé. Uma nova consciência de pertencimento está sendo desenhada, e o silenciamento frente à discriminação do povo negro, por parte dos candidatos, poderá custar caro.

 

Viram só? Pelé, que tem pele bem mais escura do que o próprio David Santos, passa a ser ignorado, pois tem opinião diferente sobre o caso Aranha. Negros que discordam da histeria racial, ou da judicialização excessiva do preconceito, ou do coletivismo forçado dos movimentos raciais, não contam. Mas por que David Santos fala mais em nome do “povo afrodescendente” do que Pelé? Só porque ele quer?

 

O que se espera de todos os candidatos é que coloquem os interesses do povo brasileiro como um todo em primeiro lugar, não que sejam reféns das pressões coletivistas de grupos organizados que falam em nome de certas “minorias”.

 

O sonho de David Santos deve ser criarmos um país paralelo em que ele fosse o grande líder desse “povo negro”. Só seria complicado preservar o discurso de vitimização sem os “opressores” da “elite branca” culpada. Quem que as “vítimas” iriam explorar assim?

fonte: Jornal veja

 


Estudante da UFPA é chamada de 'negra suja' nas redes sociais

Polícia diz que suspeito pode ser identificado e responsabilizado.
Movimento Negro cobra providências e punição para criminoso.

 

A estudante Sonia Regina Abreu, do campus da Universidade Federal do Pará de Altamira, relatou ter sofrido ofensas através das redes sociais. Segundo a Polícia Civil, o agressor utilizou um perfil falso para praticar injúria racial e disse para a vítima que, em Altamira, "não há lugar para negros sujos". Ainda segundo a polícia, além do cunho racista, o suspeito ainda teria ameaçado a jovem de 27 anos com os seguintes dizeres: "neguinha como você a gente estupra e depois queima para não poluir o solo. Lugar de negro é na senzala ou a sete palmos".

De acordo com a Ordem dos Advogados do Brasil, a vítima procurou a direção da universidade, e um professor decidiu encaminhar a denúncia para a OAB, onde caso está sendo acompanhado pelas comissões de Direitos Humanos e Igualdade Racial. "É a tolerância da sociedade e a impunidade que faz com que os ofensores, os racistas, ajam com mais desenvoltura", critica Jorge Farias, presidente da Nesta segunda-feira (15), a vítima registrou um boletim de ocorrência na delegacia. Um inquérito foi aberto para investigar a origem das ofensas. Segundo a vítima, apesar da denúncia, o autor dos insultos não se intimidou: ele mandou um e-mail para a jovem falando que usou um computador acessado pela própria Sonia na faculdade para postar as ofensas, e diz que foi "fácil como tirar bala de criança".Ainda no e-mail, o autor diz para a estudante que isso é "só o começo. Vamos limpar Altamira desta peste negra. Nenhum lugar será seguro para negros nesta cidade".

 

Sonia disse ao G1 que está assustada com as ameaças. "Estou chocada e horrorizada. Aqui sempre foi tranquilo, tem muita gente de fora. Agora a cidade é outra porque muitas pessoas se mudam pra cá para trabalhar na Usina Belo Monte, então são muitas pessoas, a cidade se tornou uma coisa que a gente não conhece mais. Não sei a origem disso. Não tenho a menor ideia do que tenha motivado isso”, desabafa.

Segundo a advogada Luana Thomaz, que faz parte da Comissão de Direitos Humanos da OAB, o autor destas ofensas precisa ser investigado por incitar a formação de organizações criminosas, como grupos de extermínio. "Isto pode também ter uma organização criminosa envolvida, um grupo de extermínio, uma quadrilha", disse.

A polícia acredita que pode localizar o agressor. "A Polícia Civil dispõe de mecanismos eficazes que, trabalhando em parceria com o poder judiciário e o Ministério Público, chega-se na autoria daquela postagem", disse o delegado Samuelson Igaki. "Nós vamos fazer a diligência de quebra de sigilo, caso seja necessário, a fim de identificar este autor para que ele seja punido pelo crime que cometeu", disse o delegado Rodrigo Leôncio.

Para o Movimento Negro no Pará, o caso é grave e vai além da injúria racial. "Também é crime de racismo porque ele generalizou o seu ódio a toda a população negra do país. O importante para nós, do Movimento Negro, é que o criminoso seja punido".


Revistas excluem adolescentes negras: 'Estou no Brasil, mas me sinto na Rússia

A pedido da BBC Brasil, a estudante de Jornalismo Isabela Reis analisou o conteúdo de três revistas voltadas para o público adolescente em busca de exemplos concretos da falta de representatividade de meninas negras na mídia. O artigo abaixo faz parte de um especial que busca dar voz a jovens nos principais debates que mexem com o Brasil.

 

 

 

A invisibilidade dos negros na mídia brasileira não é assunto novo, mas as revistas para o público adolescente revelam um quadro cruel de exclusão. Em um país onde 57,8% das meninas de 10 a 19 anos se declaram pretas ou pardas (categorias cuja soma é comumente usada para medir a população negra), as publicações juvenis não as enxergam. Somente as brancas estão nas páginas. Não há diversidade.

 

É difícil crescer lidando com produtos que não te contemplam. Como explicar para uma pré-adolescente negra, em plena formação de identidade, que ela é bonita, se a revista preferida ignora seu tom de pele? Como enaltecer a beleza afro, se o conteúdo estimula o embranquecimento? Como acreditar que o crespo é normal, se as reportagens só exibem cabelos lisos? Estamos no século 21 e parece que paramos no tempo. Nós queremos existir.

 

As edições de agosto das três principais revistas para adolescentes do país omitem a população negra. AtrevidaCapricho e Todateen: 294 páginas, apenas cinco fotos de adolescentes pretas ou pardas. NaCapricho, uma imagem estava num anúncio; outra apresentava a nova integrante da equipe de leitoras que colaboram com a revista. NaTodateen, duas fotos estavam no mural de fãs; a terceira, como na concorrente, era da equipe de colaboradoras. E só. A Atrevida não trouxe uma adolescente negra. As cantoras e atrizes pretas ou pardas conseguiram espaço nas publicações pela fama, não pela cor. Foram 114 páginas de padronização e exclusão.

 

As redações sabem da composição do público. Quatro das cinco imagens foram enviadas por leitoras negras. Elas compram, leem, se interessam, interagem, participam, colaboram. Elas estão presente e são ignoradas. Não havia um editorial de moda com modelos negras, uma seção de penteados para cabelos cacheados e crespos ou uma dica de maquiagem para pele negra. As revistas abordam bullying, sexo, masturbação, compulsões, vícios, sempre com personagens brancas, como se as questões não afetassem ou não interessassem as negras.

bbc

Isabela analisou as edições de agosto de três revistas voltadas para adolescentes no Brasil.

O racismo também não foi pauta. Estamos em 2014, as pessoas ainda xingam negros de "macaco" e a juventude negra está sendo massacrada. O Mapa da Violência 2014, da Flacso Brasil, denunciou aumento de 32,4% nos homicídios de negros de 15 a 24 anos entre 2002 e 2012. Para cada jovem branco que morre, 2,7 jovens negros perdem a vida. E ninguém toca no assunto.

As revistas não responderam às tentativas de contato. Se retornassem, conseguiriam justificar? É possível explicar a predominância das brancas nas páginas, quando elas são apenas uma parte das meninas de 10 a 19 anos? Se houvesse lógica nos números, 57,8% das imagens deveriam ser de meninas negras. Não é o que acontece.

Somos aproximadamente 9,7 milhões de cores, de cabelos com personalidade própria, de bocas grandes, de narizes largos, de sorrisos lindos, de leitoras, de público que vai pagar pelas revistas, de lucro. E ainda assim, não estamos lá. A mídia nos vende uma realidade que não existe. Vivemos no Brasil, o país da miscigenação. Ao abrir uma revista, me sinto na Rússia.

É cruel com as crianças que crescem com o sentimento de não pertencer ao universo apresentado nas revistas. É cruel com as adolescentes que se convencem que, ao alisar o cabelo e parar de tomar sol, vão se encaixar no padrão irreal. É cruel com as famílias que precisam trabalhar em dobro para promover a aceitação. Deviam ter as revistas como aliadas, mas elas são, na verdade, um desserviço.

*Isabela Reis é estudante de Comunicação Social da UFRJ e tem 18 anos

 fonte: BBC brasil


Tivemos medo de errar', diz coordenadora de Marina sobre política para religiões afro

Tivemos medo de errar', diz coordenadora de Marina sobre política para religiões afro

 

"Como Marina, sou protestante e não tinha um acúmulo de conhecimento sobre políticas específicas para religiões de matriz africana", diz Valneide Nascimento dos Santos, em entrevista exclusiva à BBC Brasil.

Filiada ao PSB há 17 anos - "meu primeiro, único e último partido" -, Santos demonstrou diversas vezes admiração pelo ex-presidente Lula, criador de políticas como o Brasil Quilombola (destinado a comunidades tradicionais) e das cotas para estudantes negros em universidades.

"Se [o governo Marina] vai ser melhor que o de Lula, não sei. Queremos que seja no mínimo igual", afirma.

Em conversa por telefone, a coordenadora de campanha adianta que a política de cotas raciais de Marina deve ter horizonte máximo de 10 anos.

"Não quero que meus filhos e netos sejam cotistas daqui a 20 ou 30 anos", diz.

BBC Brasil: Que acha das críticas sobre as políticas de Marina para religiões de matriz africana?

Valneide Nascimento dos Santos: Não detalhar foi um erro nosso. Como a Marina, eu que sou a coordenadora nacional sou protestante e não tinha um acúmulo de conhecimento sobre políticas específicas para religiões de matriz africana. Então deixamos para os militantes do PSB de Salvador e da coligação que viessem somar posteriormente. Não foi uma falha do programa, foi uma falha nossa enquanto ativistas negros. Nós deixamos de colocar porque não tínhamos um entendimento sobre como deveria ser, na época.

BBC Brasil: Então o programa será alterado?

Valneide: Não. Se você pegar o programa, já estão incluídas as políticas. O que falta é o detalhamento. Faltou o compromisso com religiões africanas, que nós sabemos que são muito perseguidas pelos evangélicos. Sabemos de terreiros no Rio de Janeiro que foram tocadas fogo. Não queremos que isso se repita. Eu, que estou na coordenação, Marina, que é evangélica, e alguns companheiros, que são da academia, não temos acúmulo de conhecimento. A gente ficou com medo de errar e ter problemas futuros, entendeu?

BBC Brasil: Quais são os comentários de Marina em relação à liberdade religiosa?

Valneide: Ela reconhece a dificuldade do povo de religiões africanas em participar de uma política com mais atuação e visibilidade. Ela mostrou em todas as conversas vontade de fazer as pessoas verem a importância desses cultos como os demais cultos da sociedade. Ela sempre demonstrou abertura em todos os sentidos, não só ela como o Eduardo [Campos]. Eles sempre falaram a mesma língua.

BBC Brasil: Marina diz querer manter a política de cotas raciais "como política emergencial, temporária, com data para terminar". O que significa ser "temporário e com data para terminar"?

Valneide: Nós defendemos cotas com data de dez anos. Dez anos dá para fazer uma avaliação. Não defendemos cotas permanentes, vemos isso como retrocesso.

BBC Brasil: Qual será o horizonte final da política de cotas raciais?

Valneide: Não tenho uma data para falar. Defendemos no máximo 10 anos.

BBC Brasil: As cotas de universidades começaram no início do governo Lula. Não se passaram 10 anos?

Valneide: Você vê que na UNB começou a acabar. Já está sendo discutido, a cada ano diminuem as vagas para negros e negras e estão entrando as cotas sociais, que é algo que acreditamos que vai prevalecer futuramente.

BBC Brasil: Muitos ativistas do movimento negro diz que racismo não tem a ver com pobreza.

Valneide: Tem muitos negros e negras que não defendem cotas para negros, em espécie nenhuma. A gente respeita a opinião de todos, mas tem que respeitar também o partido e a proposta da coligação. Tem que acreditar e ver para crer. É igual Bolsa Família. Concordamos com ele, mas não podemos deixar ter neto e bisneto de Bolsa Família. Não quero que meus filhos e netos sejam cotistas daqui a 20 ou 30 anos.

BBC Brasil: Qual será a política para quilombolas?

Valneide: O governo do presidente Lula, em 2003, avançou muito. Criou a esperança, abriu portas para todos nós para o reconhecimento e a titularização [das terras quilombolas]. Lula foi o cara que criou o "Brasil Quilombola". A presidente Dilma não avançou em nada, parou. Queremos dar continuidade ao "Brasil Quilombola’ que o Lula criou. Não é copiar e colar, é dar continuidade a algo que está dando certo.

BBC Brasil: Se a ideia não é copiar e colar o programa de Lula, qual será a diferença?

Valneide: É dar continuidade ao que o presidente Lula com muita sabedoria criou e Dilma engavetou.

BBC Brasil: A senhora faz duras críticas à Dilma Rousseff e muitos elogios a Lula. O governo Marina em relação ao movimento negro será melhor que o de Lula?

Valneide: Se vai ser melhor, não sei. Queremos que seja no mínimo igual. Vamos abrir as portas para o movimento negro e ouvir. Foi o que Lula fez. A nossa defesa com Marina, e ela participou do governo Lula, é que a população negra seja ouvida, não queremos ser só coadjuvantes. Não vamos só votar, queremos ser votados e participar da gestão. Dilma não abriu para a sociedade.