VEJA A CARTA QUE A EDUCAFRO ENVIOU PARA A B3 (BOLSA DE VALORES)

Educafro denuncia Bolsa de Valores de SP por perpetuar racismo estrutural

Entidade do movimento negro ligada à educação enviou carta criticando omissão da instituição em políticas de diversidade em seus 130 anos

Por Weslley Galzo - com colaboração de Gabriel Guedes | 06/09/2020 09:00
b3
WIKIPEDIA/COMMONS
Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, uma das mais influentes da América Latina

A Educafro , entidade do movimento negro com mais de 44 anos de história- e que milita pela diversidade e inclusão racial de negros e brancos pobres , sobretudo na educação -, encaminhou carta denúncia ao presidente da Bolsa de Valores de São Paulo , a B3 (Brasil Bolsa Balcão), Gilson Finkelsztain, pelo racismo estrutural praticado e perpetuado pela instituição em seus 130 anos de história, apontando para a ineficácia e a propagação de desigualdades pelas políticas de governança da B3.

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Na carta assinada pelo fundador da Educafro, Frei David, e pelo seu consultor de Governança Corporativa, Handemba Mutana, a entidade do movimento negro acusa a B3 de ser omissa em sua função regulatória de instituir condições, parâmetros e políticas de governança para as empresas que negociam suas ações no mercado financeiro brasileiro. Na prática, segundo a acusação, a Bolsa de Valores é conivente e contribui para as desigualdades raciais e de gênero.

A carta foi enviada em 17 de agosto, seis dias antes da B3 completar 130 anos. A Bolsa de Valores foi criada em 23 de agosto de 1890, dois anos após a abolição da escravatura, em 1888, e em toda a sua história a instituição nunca promoveu ações específicas de governança corporativa que visassem a inclusão da população negra.

"Desde o início das suas atividades com a Bolsa Livre, não apenas ignorou absolutamente os efeitos deletérios do sistema escravocrata , como vem há mais de um século promovendo o crescimento econômico de apenas uma pequena parcela da sociedade brasileira", diz um trecho do documento da Educafro.

As frases duras direcionadas à bolsa brasileira são baseadas na atuação da instituição no desenvolvimento das atividades que abrangem as suas competências. A B3 é responsável pela listagem de empresas, pela admissão destas à negociação dos valores mobiliários e, por conta de sua competência autorregulatória autorizada por lei pela Comissão de Valores Mobiliários (CMV), deve ser quem cria e implementa diretrizes de segmentação de empresas quanto a governança corporativa, trabalhando pela inclusão de negros, negras e mulheres.

Exclusão de negros e mulheres
Pelo contrário, segundo a Educafro, a B3 tem papel histórico no sentido de contribuir para a concentração de renda e a exclusão de negros e mulheres dos papéis de liderança das empresas. A CVM menciona no capítulo 14 de seu estatuto normativo que o mercado deve "manter equilíbrio entre os interesses próprios e o interesse público ".

"É escandaloso as Bolsas de Valores no Brasil e talvez no mundo reagirem só a escândalos corporativos, mas em escândalos de dimensão global, como o caso do George Floyd , há um silêncio absoluto", argumenta o Frei David, citando o assassinato cometido por um policial que repercutiu por todo o mundo e gerou uma onda de protestos antirracistas, inclusive no Brasil .

A B3 - Segmento BM&FBOVESPA - define segmentos especiais relacionados a níveis diferenciados de governança corporativa no Brasil. A Bolsa adota, desde 2000, essa diferenciação, com o lançamento do Novo Mercado, composto por 143 empresas; Nível 1, com 26 empresas; Nível 2, com 21 empresas e Tradicional, formado por 180 empresas. A segmentação das empresas foi realizada com o intuito de atrair investidores e desenvolver o mercado de capitais . Em nenhum dos níveis há menção sobre promoção da equidade racial no mercado.

Educafro questiona B3
Durante a adoção da segmentação em relação ao nível de governança corporativa das empresas, a B3 assumiu a causa institucional de potencializar o crescimento do Brasil "junto aos clientes e a sociedade". Diante deste compromisso, a Educafro questiona na carta: "De qual sociedade a B3 está falando? [...] A falta do estabelecimento de exigências normativas autoriza a perpetuação do racismo e das desigualdades raciais nas empresas listadas. É uma contradição, como você pode ter empresas no nível mais alto de exigência e sofisticação de governança corporativa e não mencionar nada sobre diversidade racial?", questiona a entidade do movimento negro.

O estudo "Diversity Wins - How inclusion matters" (Diversidade Vence - Como a inclusão importa, na tradução literal do inglês), desenvolvido em maio deste ano pela consultoria McKinsey & Company com análises de diversos países, inclusive o Brasil, expõe que companhias com diversidade étnica e cultural obtiveram desempenho financeiro 36% maior em 2019 do que aquelas empresas que não adotam nenhum tipo de medida de inclusão . Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 55,8% da população brasileira é composta por negros, compreendidos pela soma das populações de pretos (9,3%) e pardos (46,5%).

Dados do Instituto Locomotiva apontam que a população negra movimenta cerca de R$ 1,7 trilhão por ano no Brasil. Todavia, o impulso econômico produzido pela população negra, maioria do povo brasileiro, não se reflete nos quadros executivos, especialmente em cargos de gerência das empresas. Dados de uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Ethos apontam que negros são apenas 6,3% (0,6% pretos; 5,7% pardos) dos gerentes brasileiros e 4,7% (0,5% pretos; 4,2% pardos) dos executivos em companhias do país.

Negros em cargos de liderança

A Educafro cobra da B3, diante desse cenário tão desigual, ações afirmativas e regulamentações que venham a colaborar para que o Brasil tenha a população negra e feminina ocupando cargos de liderança.

"O grande absurdo é que quando nós falamos de governança corporativa , nós falamos em alguma medida sobre gênero, mas nada sobre raça. A B3 sempre teve a finalidade de promover benefícios e nunca se comprometeu, em 130 anos, com a questão racial. Apesar de reagir a escândalos financeiros, ela não reage a um escândalo racial. A Bolsa de Valores precisa incluir nos regulamentos dos três níveis de governança corporativa uma seção que fale que as empresas listadas na Bolsa devem implementar programas de ações afirmativas de gênero e raça", defende o Frei David.

"A B3, como principal entidade administradora do mercado de capitais e no exercício de sua função autorreguladora, é indiferente, omissa e negligente com a equidade racial, especialmente no que tange os regramentos de boas práticas de governança corporativa para as maiores empresas no Brasil", diz a carta da Educafro.

Oportunidade para se atualizar
Para a historiadora Juliana Serzedello, mestre em história social e professora do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), "A B3 pode aproveitar essa denúncia da Educafro como uma oportunidade de se atualizar sobre os procedimentos do mercado em todo o mundo. Demonstrar que há algo que precisa ser melhorado", prega.

A historiadora cita que a B3 segue a lógica do setor privado no decorrer da história do Brasil, que sempre foi de omissão em relação à questão da diversidade racial . "A gente precisa pensar nos raros casos em que há preocupação com esse tipo de questão. A norma é não haver no campo empresarial nenhuma preocupação com isso até que as políticas públicas de promoção da igualdade racial começassem a acontecer no Brasil", pontua a mestre em história social.

Serzedello lembra a Conferência de Durban, organizada e promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro de 2001 com o intuito de promover a igualdade racial ao redor do mundo, que foi um marco importante para a inclusão do negro na vida pública e no mercado de trabalho, por meio de políticas públicas que depois foram incorporadas ao mundo corporativo, para questionar a atuação da B3.

"Pensando que isso aconteceu na virada do século e nós estamos em 2020, podemos dizer que a B3 está um pouco atrasada. É uma tendência de 20 anos no Brasil de inclusão da população negra nos quadros das instituições e das empresas", levanta a professora. Apesar de concordar com a omissão da Bolsa de Valores , Serzedello enfatiza o protagonismo da população negra em iniciativas para gerir as próprias finanças e se inserir no mundo do trabalho no período pós-escravidão.

"A população negra não passou os últimos 130 anos com o chapéu estendido esperando que o mercado fizesse alguma coisa. A partir do momento que aconteceu a abolição da forma incompleta como ela aconteceu, a população negra começa a se articular em instituições próprias", conta a professora, que cita fundos de Previdência criados por negros e ainda a Sociedade Protetora dos Desvalidos , que atuava na compra de cartas de alforria e na emancipação do negro.

Conquistas da população negra
Nestes 130 anos desde a criação da Bolsa de Valores de São Paulo , a população negra se articulou e alcançou conquistas por meio de ações afirmativas que levaram a inserção deste seguimento populacional na academia - fator que leva a criação de uma mão de obra negra qualificada para o mercado. Segundo pesquisa do IBGE de novembro de 2019, negros e pardos se tornaram maioria em universidades públicas pela primeira vez na história, com 50,3% dos alunos matriculados, mas a desigualdade no mercado permanece.

Neste sentido, a Educafro afirma que "a B3 tem sido completamente omissa em relação ao racismo estrutural e às desigualdades raciais " por não utilizar a sua prerrogativa institucional para atacar a disparidade socioeconômica entre brancos e negros. A Educafro também relembra em um trecho da carta a função da Bolsa de Valores de acordo com a Constituição Federal, que diz que o sistema financeiro nacional "é estruturado de forma a promover o desenvolvimento equilibrado do País e a servir aos interesses da coletividade, em todas as partes que o compõem". Segundo a denúncia, a B3 jamais cumpriu esse papel.

"Considerando as posições que o Brasil está em alguns rankings econômicos e de desigualdade, a B3 parece estar tendo mais resultados em potencializar a concentração de renda do que promover o desenvolvimento econômico do país de forma equilibrada, considerando todo os interesses da sociedade, principalmente de negros e mulheres. É gravíssima e escandalosa a postura omissa , apática e silente de soluções efetivas da principal entidade do mercado financeiro, frente à crise global sobre as desigualdades raciais e os protestos antirracistas em curso no mundo", denuncia a Educafro no documento.

Procurada pela reportagem do iG sobre a questão, a B3 alegou não ter recebido a carta escrita pela Educafro , mas também não se pronunciou sobre a denúncia de contribuir para o racismo estrutural nem tampouco deu sinais de que atua de modo a construir uma economia mais inclusiva. Na página da instituição na internet, a B3 lista seus valores e em nenhum momento cita seu papel institucional de promover o desenvolvimento equilibrado do País ou mesmo a intenção de atuar para minimizar as desigualdades raciais , sociais ou de gênero.

A carta da Educafro foi enviada diretamente ao presidente da B3 por Frei David em mensagem obtida pela reportagem com os dizeres: "Sentimo-nos como se o joelho da B3 estivesse sobre o pescoço do povo afro, uma vez que a B3 não tem programa robusto e eficiente de inclusão de afro-brasileiros". A Educafro não obteve retorno de sua cobrança.

Veja neste link a carta que a EDUCAFRO enviou para a BOLSA DE VALORES: EDUCAFRO-Carta-A-Bolsa-de-Valores-Denuncia-B3.

Fonte: undefined - iG @ https://economia.ig.com.br/2020-09-06/educafro-denuncia-bolsa-de-valores-de-sp-por-perpetuar-racismo-estrutural.html

www.educafro.org.br & educafrotech.educafro.org.br & assessoria@educafro.org.br


Votação no TSE para garantir eleições antirracistas

É amanhã! Um grande passo para o nosso povo vai acontecer no Tribunal Superior Eleitoral amanhã as 10h. Uma importante votação para garantir eleições mais justas, diversas e inclusivas. Você faz parte disso! Acesse agora o podcast do Frei David, onde ele passará todas as informações importantes sobre esse tema.

 

 

 


Eleições Antirracistas

Por eleições antirracistas! Precisamos pressionar para garantir financiamento e visibilidade justos para as candidaturas negras nestas eleições! ✊🏾 Está para ser votado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a distribuição proporcional do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do tempo de propaganda eleitoral para candidatas e candidatos negros. Se for aprovado, isso vai fazer com que os partidos sejam obrigados a distribuir de forma mais igualitária os seus recursos.

 

Sabemos que falta de financiamento e de visibilidade impacta diretamente na eleição de candidatos, em especial das mulheres negras. Em 2018, as mulheres negras receberam apenas 6,7% do dinheiro dos partidos destinados à campanha.

Já são dezenas de organizações da sociedade civil apoiando essa ação. Precisamos ser muitas e muitos mostrando que queremos apoio para as candidaturas negras! Pressione AGORA por eleições antirracistas: www.eleicoesantirracistas.com.br


educafro-coletivo-afro-lgbtq-blog-setembro-2019

COLETIVO AFROLGBTQ+

O que é? O coletivo AFRO LGBT é uma iniciativa que surge em meio a demanda social pela busca da representatividade e identidade da população Negra LGBTQ+. Voltado para formação e contratação de profissionais LGBTQ+s nas diversas áreas de trabalho.

Objetivo: Procuramos promover a contratação de profissionais LGBTQ+s  nas empresas parceiras e estimular o debate na sociedade e nos diversos espaços de resistência.  Inicialmente teremos reuniões semanais de captação e formação de novos membros.

Nossa primeira reunião acontecerá no dia 11/09, ás 18h.

O Afro LGBT surge a partir de um espaço de fala e de uma experiência pessoal, por ser negro, gay e periférico me vi em uma situação bastante complicada, a busca por um emprego de carteira assinada. Em um cenário de crise política e econômica com 13 milhões de desempregados ser contratado não seria fácil, sendo negro, gay e morando na periferia percebi que as chances seriam ainda menores. Durantes meses distribui diversos currículos em diversas empresas e até hoje aguardo um retorno.

Há poucos dias o Ministério da Saúde lançou uma cartilha com dados sobre o suicídio, o índice de suicídios entre jovens negros é 45% maior que o de jovens brancos, o racismo impacta diretamente as nossas vidas. Pensando nisso e querendo fugir dessa estatística aprendi a importância e a necessidade de “aquilombar” – de se aproximar e de se fortalecer com os nossos iguais- é dessa união que surge a rede AFRO LGBT.

Samuel Dias

A Partir da minha experiência pessoal sendo negra, Trans e marginalizada na sociedade, percebi um grande preconceito na contratação de pessoas trans, na qual empresas não oferecem oportunidades de emprego. As empresas institucionalizam a violência que a sociedade tem aos que não se encaixam no padrão normativo -homem, cis, branco, hétero- e quando há uma contratação de transexuais é em sua maioria por empresas terceirizadas, em cargos precarizados e nunca de liderança.

A comunidade LGBT não tem oportunidades de emprego e educação, cerca de 90% dos travestis e transexuais sobrevivem da prostituição. Em minha experiência, passei por uma grande dificuldade na minha formação sendo barrada nas escolas por ser uma garota transgênero, não só pelos funcionários, mas também pelos próprios alunos. Não há razão para excluir alguém pela identidade de gênero. Por isso acredito na necessidade da inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho, como um agente de trans-formação social.

Emery Khoury


COLETIVO AFROLGBTQ+

O que é? O coletivo AFRO LGBT é uma iniciativa que surge em meio a demanda social pela busca da representatividade e identidade da população Negra LGBTQ+. Voltado para formação e contratação de profissionais LGBTQ+s nas diversas áreas de trabalho.

Objetivo: Procuramos promover a contratação de profissionais LGBTQ+s  nas empresas parceiras e estimular o debate na sociedade e nos diversos espaços de resistência.  Inicialmente teremos reuniões semanais de captação e formação de novos membros.

Nossa primeira reunião acontecerá no dia 11/09, ás 18h.

O Afro LGBT surge a partir de um espaço de fala e de uma experiência pessoal, por ser negro, gay e periférico me vi em uma situação bastante complicada, a busca por um emprego de carteira assinada. Em um cenário de crise política e econômica com 13 milhões de desempregados ser contratado não seria fácil, sendo negro, gay e morando na periferia percebi que as chances seriam ainda menores. Durantes meses distribui diversos currículos em diversas empresas e até hoje aguardo um retorno.

Há poucos dias o Ministério da Saúde lançou uma cartilha com dados sobre o suicídio, o índice de suicídios entre jovens negros é 45% maior que o de jovens brancos, o racismo impacta diretamente as nossas vidas. Pensando nisso e querendo fugir dessa estatística aprendi a importância e a necessidade de “aquilombar” - de se aproximar e de se fortalecer com os nossos iguais- é dessa união que surge a rede AFRO LGBT.

Samuel Dias

A Partir da minha experiência pessoal sendo negra, Trans e marginalizada na sociedade, percebi um grande preconceito na contratação de pessoas trans, na qual empresas não oferecem oportunidades de emprego. As empresas institucionalizam a violência que a sociedade tem aos que não se encaixam no padrão normativo -homem, cis, branco, hétero- e quando há uma contratação de transexuais é em sua maioria por empresas terceirizadas, em cargos precarizados e nunca de liderança.

A comunidade LGBT não tem oportunidades de emprego e educação, cerca de 90% dos travestis e transexuais sobrevivem da prostituição. Em minha experiência, passei por uma grande dificuldade na minha formação sendo barrada nas escolas por ser uma garota transgênero, não só pelos funcionários, mas também pelos próprios alunos. Não há razão para excluir alguém pela identidade de gênero. Por isso acredito na necessidade da inclusão de pessoas trans no mercado de trabalho, como um agente de trans-formação social.

Emery Khoury


educafro-1-ano-de-resistencia-20-de-agosto

Nunca tão poucos fizeram tanto por tantos!

Era o dia 20 de agosto de 2018. 7 jovens guerreiros/as acorrentados/as no pátio da Secretaria de Justiça e Cidadania de São Paulo. Ali passaram 13 dias. Alimentando-se ali… dormindo ali. Tudo isso em prol de uma causa. Você se lembra?

Muitas vezes, com a correria do dia a dia, nos esquecemos de momentos importantes da nossa história. Mas aqui na EDUCAFRO, dia 21 de agosto é dia de relembrar, de celebrar, de resistir. Há exatos 365 dias, aconteceu o Protesto das Correntes, onde 4 mulheres e 3 homens, voluntários da EDUCAFRO, se manifestaram com seus corpos para que a Lei 1.259/……….. fosse regulamentada.

Foram dias de luta, de dor, de frio. Dias em que, além dos 7 guerreiros, muitos outros guerreiros/as se uniram para defender um povo. Eram advogados, voluntários, militantes, todos em busca de um único resultado: Mais direitos para nós, negros. É o que conta o voluntário Samuel, um dos 3 homens acorrentados no protestos.

“Fomos acorrentados durante 13 dias na Secretaria de Justiça e Cidadania, onde nós reivindicávamos a regulamentação da lei 1259, que tem o objetivo de incluir a população preta, parda e indígena (PPI). Essa Lei havia sido aprovada na Assembléia Legislativa em 2015 mas não havia sido regulamentada pelo então governador Geraldo Alckmin. Após essa reivindicação, e a luta do Frei David no Palácio dos Bandeirantes, nós conseguimos ver essa lei regulamentada em 19 de dezembro de 2018. Aqueles treze dias não foram fáceis. Nós estávamos em 7, 3 homens e 4 mulheres. Nós dormíamos no chão. As refeições eram servidas ali mesmo. Mas conseguimos resistir.”

A Lei 1259 tem por objetivo principal garantir que haja um sistema de pontuação diferenciada em concursos públicos para os candidatos pretos, pardos e indígenas. E se hoje essa Lei existe, se hoje nosso povo tem políticas de ação afirmativas nos concursos do Estado de São Paulo, é porque no passado houve luta, houve resistência.

Mas, mesmo um ano depois, a luta continua, como conta o depoimento da Ester, nossa voluntária, que foi uma das 4 mulheres acorrentadas durante 13 dias.

“ver essa conquista um ano depois, uma conquista através dos corpos físicos, quase 134 anos após a abolição da escravatura, em pleno 2018, no estado de São Paulo, um estado tão inovador, tão cheio de estrutura, mas com o mínimo de apoio para as políticas públicas. Com as cotas na secretaria da justiça não foi diferente. Há, ainda, uma forte excludente com o povo negro, com o povo pobre, em um dos maiores estados do Brasil, e um dos maiores da América Latina, e também um dos maiores em relação ao racismo e ao preconceito. Falar de um ano, ainda é falar com dor, ainda é falar com indignação, porque falta muito à fazer. Na prática a mudança ainda está muito tímida. É uma violência. Não há o que comemorar, mas vamos continuar na resistência e pedimos para as próximas gerações fazerem o mesmo.”

Ao final dos 13 dias, já muito cansados, os 7 guerreiros deixaram a Secretaria de Justiça. Mas então foi a vez do Frei David dar continuidade aos protestos no Palácio dos Bandeirantes, com transmissão para todo o Brasil. Com toda essa pressão, o governo cedeu e conseguimos a nossa vitória.

Uma vitória que ficará marcada para sempre, como confirma a voluntária Priscila, que também estava entre as 4 mulheres que se acorrentaram no Protesto das Correntes:

“Nós tomamos a decisão de fazer algo para mudar a história. Sabíamos que se fossemos para as ruas, o resultado não seria tão satisfatório. Então resolvemos fazer algo revolucionário. Com poucas pessoas, mas pessoas conscientes. Foi um ato voluntário de cada integrante, não houve nenhum envolvimento de força, foi uma decisão própria nossa. Nós decidimos mudar a realidade do nosso povo. Foram 13 dias de luta e resistência. Nossa resistência maior não foi física, mas sim psicológica. Pois a gente precisava se manter com foco, saber porque estávamos ali e entender o que nos motivou à chegar ali. Foi algo marcante, 7 pessoas conscientes e resistentes mudaram a história do estado de São Paulo. Foram momentos difíceis, mas nunca pensamos em desistir. Sempre pensávamos em permanecer, lutar, continuar, trazer a memória à luta dos nossos ancestrais. Foi um marco, passou um ano muito rápido, mas não podemos nos esquecer jamais. Não foram as 7 pessoas, foi a entidade EDUCAFRO que lutou para que isso acontecesse.

Naquele dia, há um ano atrás, Priscila, Ester, Suedi, Izania, Braziel, Uendel e Samuel, decidiram fazer história, mudar a história. Mas e hoje, um ano depois, o que mudou? O que ainda falta mudar? O que você tem feito para mudar? Olhando para o nosso passado, vemos lutas. Olhando para o nosso presente, vemos conquistas. Mas e o futuro? O que ele nos reserva?

Você, que está lendo esse texto agora, é o nosso futuro. Você é capaz de se unir ao nosso povo para combater, resistir e transformar? Você, independente do lugar que esteja, pode ser resistência. Você pode ser força. Você pode ser transformação.

O protesto das correntes acabou, mas a nossa luta, mesmo depois de um ano, continua! Como Frei David disse durante o protesto “Nunca, tão poucos fizeram tanto por tantos”. Mas se apenas 7 guerreiros fizeram tanto, imagine então quando formos todos lutando por um país melhor, mais igualitário e mais justo? Essa luta também é sua!

Vamos juntos?


Nunca tão poucos fizeram tanto por tantos!

Era o dia 20 de agosto de 2018. 7 jovens guerreiros/as acorrentados/as no pátio da Secretaria de Justiça e Cidadania de São Paulo. Ali passaram 13 dias. Alimentando-se ali... dormindo ali. Tudo isso em prol de uma causa. Você se lembra?

Muitas vezes, com a correria do dia a dia, nos esquecemos de momentos importantes da nossa história. Mas aqui na EDUCAFRO, dia 21 de agosto é dia de relembrar, de celebrar, de resistir. Há exatos 365 dias, aconteceu o Protesto das Correntes, onde 4 mulheres e 3 homens, voluntários da EDUCAFRO, se manifestaram com seus corpos para que a Lei 1.259/........... fosse regulamentada.

Foram dias de luta, de dor, de frio. Dias em que, além dos 7 guerreiros, muitos outros guerreiros/as se uniram para defender um povo. Eram advogados, voluntários, militantes, todos em busca de um único resultado: Mais direitos para nós, negros. É o que conta o voluntário Samuel, um dos 3 homens acorrentados no protestos.

“Fomos acorrentados durante 13 dias na Secretaria de Justiça e Cidadania, onde nós reivindicávamos a regulamentação da lei 1259, que tem o objetivo de incluir a população preta, parda e indígena (PPI). Essa Lei havia sido aprovada na Assembléia Legislativa em 2015 mas não havia sido regulamentada pelo então governador Geraldo Alckmin. Após essa reivindicação, e a luta do Frei David no Palácio dos Bandeirantes, nós conseguimos ver essa lei regulamentada em 19 de dezembro de 2018. Aqueles treze dias não foram fáceis. Nós estávamos em 7, 3 homens e 4 mulheres. Nós dormíamos no chão. As refeições eram servidas ali mesmo. Mas conseguimos resistir.”

A Lei 1259 tem por objetivo principal garantir que haja um sistema de pontuação diferenciada em concursos públicos para os candidatos pretos, pardos e indígenas. E se hoje essa Lei existe, se hoje nosso povo tem políticas de ação afirmativas nos concursos do Estado de São Paulo, é porque no passado houve luta, houve resistência.

Mas, mesmo um ano depois, a luta continua, como conta o depoimento da Ester, nossa voluntária, que foi uma das 4 mulheres acorrentadas durante 13 dias.

“ver essa conquista um ano depois, uma conquista através dos corpos físicos, quase 134 anos após a abolição da escravatura, em pleno 2018, no estado de São Paulo, um estado tão inovador, tão cheio de estrutura, mas com o mínimo de apoio para as políticas públicas. Com as cotas na secretaria da justiça não foi diferente. Há, ainda, uma forte excludente com o povo negro, com o povo pobre, em um dos maiores estados do Brasil, e um dos maiores da América Latina, e também um dos maiores em relação ao racismo e ao preconceito. Falar de um ano, ainda é falar com dor, ainda é falar com indignação, porque falta muito à fazer. Na prática a mudança ainda está muito tímida. É uma violência. Não há o que comemorar, mas vamos continuar na resistência e pedimos para as próximas gerações fazerem o mesmo.”

Ao final dos 13 dias, já muito cansados, os 7 guerreiros deixaram a Secretaria de Justiça. Mas então foi a vez do Frei David dar continuidade aos protestos no Palácio dos Bandeirantes, com transmissão para todo o Brasil. Com toda essa pressão, o governo cedeu e conseguimos a nossa vitória.

Uma vitória que ficará marcada para sempre, como confirma a voluntária Priscila, que também estava entre as 4 mulheres que se acorrentaram no Protesto das Correntes:

“Nós tomamos a decisão de fazer algo para mudar a história. Sabíamos que se fossemos para as ruas, o resultado não seria tão satisfatório. Então resolvemos fazer algo revolucionário. Com poucas pessoas, mas pessoas conscientes. Foi um ato voluntário de cada integrante, não houve nenhum envolvimento de força, foi uma decisão própria nossa. Nós decidimos mudar a realidade do nosso povo. Foram 13 dias de luta e resistência. Nossa resistência maior não foi física, mas sim psicológica. Pois a gente precisava se manter com foco, saber porque estávamos ali e entender o que nos motivou à chegar ali. Foi algo marcante, 7 pessoas conscientes e resistentes mudaram a história do estado de São Paulo. Foram momentos difíceis, mas nunca pensamos em desistir. Sempre pensávamos em permanecer, lutar, continuar, trazer a memória à luta dos nossos ancestrais. Foi um marco, passou um ano muito rápido, mas não podemos nos esquecer jamais. Não foram as 7 pessoas, foi a entidade EDUCAFRO que lutou para que isso acontecesse.

Naquele dia, há um ano atrás, Priscila, Ester, Suedi, Izania, Braziel, Uendel e Samuel, decidiram fazer história, mudar a história. Mas e hoje, um ano depois, o que mudou? O que ainda falta mudar? O que você tem feito para mudar? Olhando para o nosso passado, vemos lutas. Olhando para o nosso presente, vemos conquistas. Mas e o futuro? O que ele nos reserva?

Você, que está lendo esse texto agora, é o nosso futuro. Você é capaz de se unir ao nosso povo para combater, resistir e transformar? Você, independente do lugar que esteja, pode ser resistência. Você pode ser força. Você pode ser transformação.

O protesto das correntes acabou, mas a nossa luta, mesmo depois de um ano, continua! Como Frei David disse durante o protesto “Nunca, tão poucos fizeram tanto por tantos”. Mas se apenas 7 guerreiros fizeram tanto, imagine então quando formos todos lutando por um país melhor, mais igualitário e mais justo? Essa luta também é sua!

Vamos juntos?


MILITÂNCIA EM BRASÍLIA EDUCAFRO 2018

O Engaja Negritude é uma plataforma de alcance nacional com objetivo de engajar negros e negras na política.

Entre 25 e 29 de agosto estaremos em Brasília estaremos treinando pessoas dispostas a levar o núcleo do Engaja Negritude para suas localidades em todo Brasil.

Se você possui o ID Jovem poderá estar esses dias conosco em Brasília, participando também de reuniões com os ministros do TSE.
INSCRIÇÕES: https://www.educafro.org.br/intmilitancia/index.php?m=4bbc926c
Informações: +55 24 99934-1786 Thiago Braziel

 

 

E se você quer mais informações sobre o programa ID JOVEM, clique aqui!

Assista também a reportagem realizada com participação da EDUCAFRO ! clique aqui!

 

Venha fazer parte dessa LUTA!!!!

MILITÂNCIA ID JOVEM BRASÍLIA

 

Dia 25 á 29 de agosto de 2018

Clique aqui e se inscreva para essa causa educafro.org.br/intmilitancia/index.php?m=4bbc926c

Pautas

-TSE 30% da verba para mulheres negras
- Bolsa permanência
- CNMP CONSELHO Nacional do ministério Público

A entidade se responsabilizar pela estadia e comida (Café da manhã, Almoço e janta.)

JOVENS DE 15 A 29 ANOS CONSEGUEM PASSAGEM GRATUITA PELO ID JOVEM

OS DEMAIS TERÃO QUE ARCA COM A PASSAGEM DE IDA E VOLTA

Negros e Negras

Mais informações :

Abra este link para entrar no meu Grupo no WhatsApp: https://chat.whatsapp.com/8Dxga08kkdgCcU2T4HAHdG


MILITÂNCIA MINISTÉRIO PÚBLICO SP

Militância Ministério Público SP

Tema do Seminário: O MP e a (des)igualdade racial no Brasil

A Educafro convoca a participação de todas e todos nesse grande dia.

Data: 12 de Maio

Horário: das 8h:30min às 12h30min

Inscreva-te já na pagina de Militância da EDUCAFRO, link abaixo:

https://www.educafro.org.br/intmilitancia/index.php?m=1ce687b6

Todos deverão estar na Sede da EDUCAFRO às 7:30 da manhã do dia 12 de Maio.

Endereço Educafro: Rua Riachuelo 342, Sé - SP, Cep: 01007-000

E para emissão de Certificado do Seminário junto ao MP-SP deverão inscrever-se também pelo e-mail: eventos@mpsp.mp.br 

Para efetivar a inscrição deve Informar:

- Nome completo

- Número do RG (ou outro documento de identificação)

- Entidade que representa

 

inscrições abertas até 11 de Maio.

Mais informações ligar para:

(11) 3106-2790 (Fixo)

(11) 953864645 (TIM)

 

Em 2017, completam-se 129 anos da abolição formal da escravatura. Infelizmente, o tempo não foi suficiente para a concretização do ideal da igualdade racial em nosso país. Portanto, mais do que comemorar a data, o Ministério Público dela se vale para fazer uma análise das demandas sociais possíveis e necessárias, visando a aperfeiçoar sua atuação nas esferas cível e criminal para bem cumprir seu papel institucional estabelecido na Constituição da República. Para tanto, promove o evento juntamente com o Grupo de Pesquisa "Impunidade Criminal" da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo a fim de  propiciar uma troca de experiências com autoridades com vasta experiência no assunto e com a sociedade civil.

 

Programação

8h30 - Recepção e Credenciamento

 

9h - Abertura

Gianpaolo Smanio

Procurador-Geral de Justiça

José Antonio Franco da Silva

Subprocurador-Geral de Justiça de Políticas Administrativas e Institucionais

 

9h15min - Exibição de vídeo

 

9h30min às 10h10min - Política Nacional de Igualdade Racial

Luislinda Dias de Valois Santos

Ministra dos Direitos Humanos

 

10h10min às 10h50min – A experiência da promotoria especializada no enfrentamento ao racismo em Salvador/BA

Livia Maria Santana e Sant’anna Vaz

Promotora de Justiça de Salvador/BA

 

10h50min às 11h10min - Intervalo

 

11h10min às 11h40min – Debate

Christiano Jorge Santos

Promotor de Justiça e Professor de Direito Penal da PUC-SP

Carmem Dora de Freitas Ferreira

Advogada Presidente da Comissão da Igualdade Racial – OAB/SP

 

11h40 às 12h15min - Perguntas do Público

 

12h15min às 12h30min – Encerramento

 

Data: 12 de maio

Horário: das 9h às 12h30min

Local: Auditório Queiroz Filho – prédio sede do MPSP | Rua Riachuelo, 115

Público Alvo: membros, servidores, estagiários do MPSP, estudantes e demais interessados

Inscrições até 11 de maio pelo e-mail: eventos@mpsp.mp.br

Informações pelo telefone (11) 3119-9957

 

Vagas limitadas

Será conferido certificado